segunda-feira, 2 de agosto de 2010

"G'anda porco!"


Ao nível da biologia, o porco é dos animais mais similares ao ser humano, de tal forma que partes deste podem ser usadas em operações.
Ao nível literário, foi George Orwell que nos afirmou precisamente o mesmo, quando o seu Napoleão se afirmou como um ditador igual ao dono da quinta que tinha derrubado.
Vai daí que seja apenas natural ver os porcos a levarem ao extremo as situações de má vontade, desrespeito e indiferença que temos tendência a encarar todos os dias.
Um porco capaz de avançar em sentido contrário numa via de sentido único e ainda fazer cara de que são os outros que vão mal e o estorvam é demasiado parecido com situações que se repetem em transportes públicos de dia para dia.
Resta saber porque nos rimos da situação no livro e no outro caso nos indignamos ou respondemos à letra. E lá voltamos ao pressuposto inicial, somos muito parecidos com estes porcos.
Somos egoístas quando as situações nos calham a nós e apenas não as reproduzimos porque temos um embaraço moral.
O livro liberta-nos a consciências, rimos porque nos vemos a nós como aquele pequeno sacana no cartoon a quem chamamos "G'anda porco" com um sorriso cúmplice no rosto.
Acho que não serão muitos a admiti-lo mas parece-me óbvio que a ter um favorito será aquele que reproduzo no início desta crítica e que é um resumo simples mas completo dos sentimentos que temos - ocasionalmente - e que retraímos para vivermos em sociedade.














Porcos Egoístas
(Andy Riley)
Publicações Europa-América
1ª edição - Julho de 2010
96 páginas

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