sexta-feira, 30 de abril de 2010

O seu a seu dono

Don Peregrino é uma personagem com uma história singular que se estende nos anos. O romance que se lê é todo dele pela forma como se impõe. Ele é a personagem principal.
E, no entanto, não é a ele que se dedicam o maior número de páginas, mas antes a Jamilet, a personagem que servirá de ouvinte à história de Don Peregrino.
Ela precisa de existir como combustível dos eventos que levam Don Peregrino a uma catártica rememoriação do que foi a sua vida, mas não é uma iterlocutora, apenas um receptáculo.
Esse é o problema do livro, que esta personagem que não interessa, que não dá nome ao romance, tenha muito mais espaço no seu interior sem que a sua vida o justifique, nem pela sua dimensão a solo nem pela sua dimensão reflectida em Don Peregrino.
Ele é um velho homem com uma trágica história de amor a contar e com um pesado ressentimento a purgar.
Ela é uma jovem rapariga "defeituosa" que, inevitavelmente, verá o seu problema perder importância.
Todas as páginas em que temos de ler a história dela são páginas de irritação que connosco ficam, impancientando-nos ao atrasarem a história dele. Sobretudo porque ao concluirmos a leitura, percebemos que a história de vida dela não se transformou como verdadeiramente seria expectável pela ligação com a vida dele.
Don Peregrino tem menos tempo do "seu" romance do que deveria, portanto!


















Don Peregrino (Cecilia Samartin)
Vogais & Companhia
1ª edição - Fevereiro de 2010
300 páginas

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